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sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Me apegando aos meus defeitos


Mudando de vida drasticamente pela enésima vez, percebo que cada coisa tem o seu impacto a seu tempo e a seu contexto (óbvio), mas não é esse o caso. Me impressiona como pessoas extremamente diferentes conseguem ter idéias tão iguais.

Me impressiona, tanto quanto, como uma mesma pessoa, consegue ter tanta certeza hoje e tanta amanhã sobre o exato oposto.
Uma montanha russa de descobertas sobre o universo humano tendo tão pouca amostra. Essa é a beleza e a dureza de se conviver com um espécie dessa raça.

E eis que em uma conversa animada e regada a goles sucessivos, uma pessoa que eu achava que conhecia me disse: - Você é intransigente. Parei. Respirei fundo e me lembrei que há algum tempo ofensa pra mim era justamente ser chamado de radical, ou intransigente. Pra mim, isso se assemelhava a burro.
Ensaiei uma revolta. Pensei: Logo eu, um cara com a cabeça tão aberta?

Falo ensaiei, porque muito mais forte do que o ensaio, me veio uma pergunta?
Será que ser intransigente é realmente ruim?
E muito mais forte do que a pergunta me veio a resposta.
Não. Ser intransigente pode ser a única reação realmente inteligente sobre algum ponto.

A conversa em questão era sobre Cecília essa mocinha que aparece no vídeo comendo farofa com a delicadeza de um motorista de trator.




Cecília é absolutamente tudo pra mim. Por ela eu já provei que sou capaz de tomar atitudes tão impensadas, quanto era impensado pra mim saber que se pode amar tanto uma pessoinha dessa.

Na tal conversa, houve em algum momento uma citação religiosa qualquer e uma pessoa falou:
- Assim que tiver um filho, ele vai pra igreja logo cêdo pra aprender a temer a Deus.

Eu de cá falei
- Pra mim religião é uma droga como outra qualquer e eu vou fazer o possível pra manter minha filha longe de uma e de outra.

Depois de vários comentários indignados ouví uma (me desculpe, mas idiota) argumentação:
- Mas se ela quiser?

Que eu rebati com:  
- Minha filha quer o que eu quero, numa proporção inversa a capacidade dela de compreender o que quer. Ou seja, enquanto ela não tem idade ou maturidade pra saber o que quer,  quem quer por ela sou eu.

Você é intransigente. Quer dizer que se ela quiser ir pra igreja você vai impedir?

Não. Eu levo ela, mas depois levo numa outra, e depois num tereiro, depois num centro espírita, numa Sinagoga. E finalmente eu vou dar livros que falem sobre a história política de cada religião pra ela.
 Depois, se ela quiser frequentar alguma, eu faço questão de acompanha-la, até sentir que ela tem maturidade pra assumir uma religião.
Se isso é ser intransigente que seja. E mais, que se fodam todos os dicionários e significados do mundo.

Me lembrei de João filho de Lory, respectivamente um sobrinho e um irmão de escolha, que perguntou aos pais o que era Deus. E me lembrei ainda mais da resposta:
Na verdade filho ninguém sabe. Existe um monte de gente que explica Ele do jeito que acredita, mas ninguém de verdade sabe. Pretendo dar essa mesma resposta pra Cecília.

A conversa continuou e eu vomitei mais uma série de defeitos que pretendo não abrir mão:

Vou ser incompreensível quando minha filha aos 14 anos disser que não quer mais estudar;
Vou ser agressívo se alguém tentar aliciar ela pra fazer qualquer coisa escondida dos pais;
Vou ser recorrente nos esforços pra que ela leia livros;
Vou ser impaciente quando ela com 12 anos insistir que quer dormir na casa da "amiguinha" que tem um "irmãozinho" de 15.
Vou ser chorão quando for na primeira festa de pais e ver ela fantasiada de borboleta.
Vou ser irresponsável pra gastar na festa de formatura dela
E a cima de tudo, vou ser um bobo apaixonado toda vez que ela olhar pra mim e fizer isso:

Ponto final.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Dúvidas, cervejas e o tal do calor.

Jorge teceu comentários duvidosos sobre o eu sinto pelo verão da Bahia:

- Venha k velho eu sentindo um calor da porra e vc escreve um post todo baianidade nagô? Que raiva.
- É
- Vc se emociona mesmo?
- Me emociono sim. É verdade.
- Olha aquilo alí | (abaixo a descrição do "alí") | você não se emociona com uma imagem dessa?
Estávamos na Pedra Furada, quase todo soteropolitano conhece, mas se existe algum que ainda não pegou o caminho da Colina Sagrada e quebrou a esquerda pra comer um fruto do mar na Pedra Furada, tem que ir. Cervejinha Gelada, um peixinho frito e uma imagem fotográfica: 3 crianças brincando no mar enquanto o sol começava a cair. Poesia pura.
- Não. Acho bonito, mas só.
- Vc já foi pra algum ensaio esse ano?
- Não
- Deve ser isso. Quinta a gente vai pro de Jau.
- Certo... Vamo tomar outra lá na Ribeira?
- Vamo.

Jorge... vou colocar aqui um cometário. Espero que ajude vc a entender melhor:
Blogger Nany disse...

Compreendo essa sua " febre de Salvador " !Quando pisei nesta terra pela primeira vez senti um calor incontrolável, mas não falo da temperatura e sim dessa energia linda que contagia quem pisa por aqui, dessa cor que ganhamos quando assumimos que " somos do mundo do carnaval, somos da Bahia " !
Também me emociono muito ao escutar essa música .. dá um friozinho na barriga só de lembrar que hoje vivo nesta terra de gente colorida !
Grande abraço,
de uma nova admiradora do blog .


Tá vendo meu filho? É isso que eu quero dizer.
Obrigado Nany pela sua ajuda.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Respostas para as perguntas de Jorge

Vamos lá. Fui desafiado pelo peralta amigo Jorge, do fantástico blog detesto gente inteligente a responder um questionário homofóbico sobre maculinidade.

E como os cabelos dos meus ovos foram colocados a prova eis que anuncio aqui minhas respostas.
As perguntas vão continuar no blog dele (quem é o Gênio por aqui Jóvem?)

1 - O meu é engordar, R - nenhum;

2 - Hã? Aves e vegetais? O que é isso? R - até a B;

3 - Até a B pq tem álcool a partir disso não tenho tanta certeza;

4 - B as vezes C;

5 - A+B+Quente+todas de qualquer tipo;

6 - Hã²? Flores, Vela Jóvem? Lá ele. Eu prefiro B eisso é sério. Pode perguntar a cabeça;

7 - Eu admito, até no E eu vou;

8 - Gato? Existe algum coisa mais lá ele do que gato? A minha é uma cadela ladrona, mas como ela é de meia raça e de vez em quando dorme na cama, vá lá D;

9 - B;

10 - B;

11 - Não tenho nem cabelo;

Portanto, apesar de uma escorregadinha aqui e alí. Eu sou quase o Conam.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Obama, eu e Neto.

Obama não é tão preto assim, talvez por isso ele tenha sido eleito.
Obama não era pobre, nunca foi. Talvez por isso ele tenha sido eleito.
O importante não é isso (?). O importante agora é que estávamos, até minutos atrás, eu e Neto, meu cunhado, discutindo o quanto a vitória de Barak tinha a ver com a cor dele, ou o quanto a vitória dele seria importante pra sua cor.
Eu considero Neto um cara puta inteligente e também não me acho tão burro. A gente não concorda em tudo, mas discute mesmo assim. O que eu acho ótimo.
Talvez por isso, nós dois, ao mesmo tempo, percebemos o quanto a cor de uma pessoa ainda é determinante em uma conversa daquele porte e mudamos o rumo da prosa exatamente pra isso. Finalizamos achando que acabarão nossos dias por aqui e não veremos o tempo em que a cor das pessoas não seja recheio de conversa.
Eu particularmente acho que a mudança que tinha que acontecer por lá já aconteceu. Elegeram um preto de nome estranho. Pronto. Puta democracia, confusa, mas propensa a nos surpreender. Queria estar lá pra comemorar, afinal por aqui só tenho Lula pedindo pra derrubar as barreiras contra Cuba.
Não sou fã dos EUA, muito longe disso, mas lá ha 40 anos preto não podia votar, hoje é eleito.
Se a gente traçar um parâmetro com nossas paragens, vamos ver que o Brasil ainda não está pronto pra eleger um preto. A mudança ainda não chegou por aqui. Por aqui ainda discutimos políticas de cotas e tratamos a educação como uma bijuteria barata.
Portanto, Martin Luther King a parte.
Sonho com o casamento Gay liberado, com o dia em que o negro seja mais um, com o turbante sendo uma peça de roupa e com o empalamento de quem fomenta a gerra.
Viva a Obama? Nada.
Viva a mim e a Neto.