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sexta-feira, 3 de junho de 2011

A vida real

Já faz alguns anos que saí da faculdade e nunca, até essa semana, consegui resumir o que eu aprendí por lá.

Nada. Já pensei várias vezes, mas não é verdade.
Enrolar pra entregar depois o que eu deveria ter entregado ontem. Verdade, mas não só isso.

Assumir que você não sabe, e saber que você vai ter que resolver sem saber.

Em outras palavras: Entender que você não sabe resolve, mas que o mundo tá cagando pra isso. Ele quer resolvido. Boa zeromeia boa!

Os bossais dizem que sabem, os burros têm certeza. E eu as vezes só tenho a certeza que se eu tivesse feito mestrado doutarado e o caralho, mesmo assim, não ia saber metade do que eu preciso pra tocar as coisas.

O restaurante tá bem. As pessoas tão perdendo o medo dele e vindo. O almoço que não era inicialmente o que eu queria fazer, mas fiz, tá pegando também e tenho festas marcadas de hoje até o dia 02 de julho.

Tudo parece entrando nos eixos, mas justamente agora um rapazinho chamado capital de giro se apresentou pra mim de uma forma um tanto quanto agressiva. Se eu pudesse, juro, sairia na mão com ele fácil, mas sinto q ia perder feio. Resolví, portanto, tentar resolver amigavelmente e a gente tá vendo onde vai dar.

As coisas na faculdade são tão plácidas, estáticas que qualquer denominação (e eles adoram denominações) parece ausente de alma:

Capital de Giro, inicial, final;
Benchmarking;
Ativo e Passivo;
Ativo executável, passível realizável;
RH, missão, valor, CRM, preço, prazo. Meu pau. Sei lá.

Pra tudo por lá tem um nome, uma regra infalível, um causo de sucesso, ou de fracasso.

Mas por aqui, camarada... A coisa fala mais grossa e estufa o peito.

Ou se tem dinheiro pra tudo, ou se fode, ou tem crédito pra rolar a dívida, ou se fode. Ou faz a compra certa, ou sobra, ou falta, mas em ambas você se fode.
Se a banda vem e as pessoas também e os produtos tb e os funcionários tb massa.
Mas se uma porrinha dessas não vem fode tudo.

Eu trabalho com eventos desde q o mundo é mundo e adoro. AMO e sinceramente não me vejo fazendo outra coisa da vida. Ponto final. Por isso meus caros, antes que vcs pensem que eu tô repensando minha vida, papai esclarece que está aqui apensas pra dar mais uma importante aula de grátis:

Se vocês pensam que todos os problemas do mundo vão desaparecer no momento exato em que vc abrir um bar e viver em festa. PENSE. Nem tudo é tão easy quanto parece. O mundo da putaria também tem suas várias dificuldades e se preparem (e isso é pra vida toda não só pra negócios) o grande barato da vida é ter calma e sangue frio pra resolver aquilo que vc não tem a mínima idéia de como resolver. Quando isso acontecer, acredite, vc tá começando a fazer alguma coisa diferente. Aliás aqui fica um parêntese. Conta T não serve pra absolutamente nada na vida real. Segue...

O problema é que ações diferentes trazem recompensas diferentes e elas podem ser boas ou ruins. Na dúvida, planeje direitinho e depois meta a pica.

Ok? Agora bjs a todos que papai tá cansado de tentar fazer a vida de vcs mais fácil, linda, cheirosa e bolinativa.

Sem mais.
Subscrevo.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

O Macho Alfa

O Conceito de Macho Alfa no Wick é esse: clique aqui , também é legal, mas o meu é mais prático:

O Macho Alfa é o que está por cima.

E aqui pra nós meus caros...

Quem tá por cima é que mete.

Lembrem-se sempre dessa frase. Vou até colocar de novo aqui para firmá-la nos seus sub-conscientes: Quem está por cima é que mete. Decoraram? Pronto.

Isto posto, fica a dica, seja mulher homem ou ornintorrinco quem tá por cima define a hora e isso é tudo na vida.

O Macho Alfa doravante denominado M.A., ou simplesmente MA, moderno é aquele cara pra quem todo mundo liga quando tá precisando de alguma coisa. Beber, fuder, sambar não interessa. No meu caso: Se divertir.

Eu já fui MA de vários nichos diferentes em Salvador e foi muito legal. Eu coordenava ingresso de eventos de MPB, de Axé e depois de boate, várias pessoas me ligavam e me tratavam como o último negão da Dadá. Eu não sei vcs, mas eu adoro ser tratado como o último negão da Dadá.

Há Pablo, mas esse povo só lhe trata assim pelo que vc pode oferecer, quando vc tá na merda ninguém te apoia. Eu Sei. E sei na pele, porque depois disso eu fui trabalhar num emprego formal (não sei onde eu estava com a cabeça) e meu telefone simplesmente parou de tocar. Era como se eu não existisse, como se eu tivesse morrido. Ninguém me ligava, as visitas no blog foram pro saco, eu não precisava mais esvaziar minha cacha de e-mail e por aí vai. Conclusão: Eu não nasci pra isso.

Voltar para o mundo bizz da Solterópolis era uma opção, mas eu sentía como se aquilo tivesse sido um passo dado. Não cabia mais voltar atrás. Daí surgiu algumas idéias:

1 - Vender tudo e comprar um barco de pesca;
2 - Jogar tudo pra cima, ir morar em Itacaré e viver o resto dos dias surfando e fumando maconha;
3 - Ir pra Nazaré montar um bar.

Apesar da total exequibilidade de todas as opções, confesso que fiquei em dúvida entre duas, mas eu respeito muito o mar pra ir pescar, então resolvemos vir pra Nazaré e tentar novamente ser o MA de algum nicho.

Por aqui as coisas são diferentes, mas tão legais quanto.
A titularidade de MA daqui se confunde com a do próprio bar e já que em Nazaré eu já tinha amigos, o processo ficou logo claro, sem milindres.
Quando o restaurante tem o melhor atrativo a galera vem. Quando não tem não vem.
É simples e honesto, ninguém me trata diferente do que sempre me tratou, ninguém me dá presentes, ou troca favores, ingressos, ou o que quer que seja. Em compensação, aparece quando o movimento tá fraco pra tomar uma cerveja comigo no balcão. Não sei pra vcs, mas pra mim isso é ser o último negão da Dadá.

Eu aprendí a brincar aqui de o MA da semana. Tem semana que ninguém faz nada na cidade porque sabe que minha programação vai brocar. Tem outras que eu não me atrevo a investir porque eu sei que o MA do sábado não vou ser eu/O Riviera, daí eu abaixo a cabeça e sigo a matilha.

Um dia, numa dessas pavorosas entrevistas de emprego com dinâmica de grupo, o entrevistador me perguntou:
- Onde você quer estar daqui há dez anos?
E eu respondí:
- Na briga;
- Como?
- Na briga, abrindo um novo negócio, sendo promovido a alguma coisa,vendendo tudo e virando hippie sei lá, eu só não quero estar parado sentado numa cadeira bacana me achando confortável.

Não sei o que ele entendeu, mas como era um cargo para uma cadeira bacana, eu não seguí no processo. Me arrependo até hoje de ter dito aquilo. Deveria ter dito:

- Eu só não quero estar de terno enchendo os culhões das pessoas me dizendo entrevistador. Depois sair da sala mandando todo mundo acordar pra vida e mandar aquele fila da puta se fuder.

Uma coisa hoje é clara pra mim. Aqui não é melhor do que Salvador. Nem pior. Ser MA aqui não é melhor do que ser em Salvador. Nem pior, não mesmo. Só é diferente.

E pra mim a diferença que realmente conta é que aqui eu sinto que estou onde devia estar:

Na briga.

Sem mais, subscrevo

domingo, 15 de agosto de 2010

...

Hoje eu percebí que eu não preciso de dinheiro.
Eu só preciso poder fazer aquilo que eu preciso fazer.

sábado, 3 de julho de 2010

A música

São 5:00 h de uma manhã de sábado chuvosa.


Levei uma queda da escada ontem e meu cotovelo dói, dificulta escrever, mas mesmo assim, não vejo outra coisa a fazer.


São tantas coisas a dizer a fazer e o tempo parece tão pouco.


Começou assim o esboço de uma música que eu pensei ser capaz de fazer.


As vezes tenho certeza que eu consigo escrever bem. Que eu consigo continuar meu livro de onde parei há meses, mas simplesmente não é tão simples.


O blog me acalma porque é uma página só e por mais linhas que eu venha a fazer, o começo e o fim estão logo ali.


Acho que o difícil da vida é isso, separar o começo do fim.


Sem mais, subscrevo

sábado, 29 de maio de 2010

Dura realidade

Quanto menos eu escrevo, mais ganho seguidores.

Acho que as pessoas adoram me seguir por que sabem que eu não incomodo elas.

Meio louco, mas deve ser isso. Só tem essa explicação.

Sejam bem vindos os novos.

Eu a puta

Um dia eu ouví de um poeta fantástisco chamado Antonio de Aruanda uma frase:

"Entre as pernas de uma mulher todo o homem é uma puta"

Sempre acreditei ser uma puta, nessas circunstância, uma coisa ótima. Com o tempo, essa frase foi se modificando na minha cabeça e eu comecei a impelí-la contra mim toda vez em que eu permitia que decidissem alguma coisa por mim. Não que isso tenha alguma coisa a ver com a frase, mas eu sou doente, fazer o que?

Toda vez que eu pensava:
"Eu não deveria ter feito isso. Fiz pra não acabar brigando com alguém. Vinha o pensamento: Eu sou uma puta".
"Eu não deveria ter comprado isso, fiz pra poder parecer mais legal. Eu sou uma puta".
e milhares de etcs.

Há uns 3 meses atrás, deixei de fazer aquilo que eu gosto de fazer.
Abandonei minhas produções e festas, pra administrar um caralho, numa cidade a 100 km de Salvador, por dinheiro.
Eu gostaria de dizer, que foi por acreditar, num novo mundo pra educação do país. Porra nenhuma. Me compraram. Disseram: -Eu te pago tanto e eu fui.
Claro que ninguém trai seu próprio caminho por dinheiro e sai por aí assoviando. As coisas não tendem a dar certo assim.
Metade do dinheiro e dos benefícios que me prometeram foram pro saco, por causa de um corte orçamentário de última hora, e eu, a puta, tive que fazer anal pelo mesmo preço do programa básico.
Eu me vendí por dinheiro e me odiei por isso. Não sei se vcs perceberam que eu tenho escrito pouco, mas foi basicamente por isso.

Eu não tinha nascido pra isso.

Eu tenho espírito empreendedor, de artista. Eu quero criar, inventar modificar as coisas ao meu redor e não ficar sentado numa merda de cadeira controlando a quantidade de letras que as pessoas digitam por dia.

Semana passada eu acordei e pensei:
"Quando Tony pensou no homem como uma puta não foi desse jeito. Eu tenho que voltar a ser uma puta poética e não uma vendedora de corpo que não beija nem goza".

Toquei o foda-se e larguei tudo. O que vem pela frente é uma total incógnita, mas eu estou feliz de novo. Me sinto vivo e não poderia deixar de compartilhar isso com vcs.

Antes porém, eu gostaria de dizer que não tenho nada contra quem vende o corpo em troca de dinheiro. Desde que a pessoa goze e goste do que faz. Eu admiro.

Inclusive é isso que eu pretendo fazer daqui pra frente. Trabalhar, gozar e ser feliz.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

A Fantasia

Não. ninguém aqui tá fantasiado de nada. Isso não é um post sexual onde eu estou fantasiado de bombeiro com a mangueira na mão.

A fantasia em questão é outra.

Ontem eu tinha 2 opções pra fazer meu sobrinho feliz. Ou levava ele pro Barradão pra ver o vitória ser campeão de novo, ou levava o pequeno varão do clã dos Araújo para a Parada Disney.

Optei (optaram por mim na verdade) pela parada.

Devidamente informado da decisão pois, o sacaninha começou pontualmente as 5:00 h da manhã a entoar a ladainha " - umbora meu dindo ver a parada Disney" .

Em calculos rápidos, se saimos 8:00 h e ficamos no final do percurso, há 15min do início (10:30 h) do desfile: Entre 5:00 h e 10:45 h, devo ter ouvido por volta de 427 vezes a singela frase.

Salvador é uma cidade muito carente de eventos sem trio elétrico.
Foi assim com a corrida Renault no comércio, onde os organizadores previram 70.000 pessoas e deu 1.000.000.
Foi assim com a Stock Sar.
Foi assim com a Parada Disney.

Milhares de pessoas superlotaram tudo por onde passou, ou por onde se passava, pra chegar ao local do desfile.
Cheguei no estacionamento do centro de conveções 9:00 e já estacionei no último lance. Logo eu, que acreditava ser o tal estacionamento, uma espécie de portal polidimensional, onde os carros entram e são transportados pra uma galáxia distante, haja visto que nunca enche. Nem se for a formatura de todos os cursos da UFBA ao mesmo tempo aquilo enche. Ou enchia até ontem.

Pra sair levamos 1:30 parados na porta do centro. Provavelmenete avisaram que o portal logo fecharia e quem não saísse de lá, poderia ter que esperar o próximo eclipse total do sol pra reaver seu veículo.

Salvador, como eu falei, é carente de eventos sem trio. Não que se tivesse trio daria menos gente, mas eu por exemplo não iría e acho que boa parte das pessoas que estavam alí também não. Foi uma festa infantil mesmo. Com distribuições de chapéuzinhos e tudo mais. Uma puta de uma produção e um clima bem legal.

Tudo ótimo se não fossem dois problemas.
Um Salvador não tá preparado pra nenhum tipo de evento grande;
Dois Cruela assustou meu sobrinho.

O primeiro problema é notório, qualquer festa grande por aqui, tende a virar dor de cabeça. Não se consegue chegar, não se consegue sair.
Pra fazer um, ou outro, tem que se optar por chegar estupidamente cedo, ficar até parte do povo sair, ou os dois, podendo ainda se fuder pra chegar em casa.
Pior, o empreendedorismo do povo soteropolitano falohou e não se encontrava bar por perto. Um absurdo sem tamanho. Esperar parado tudo bem, mas sem cerveja em pleno domingo é inadmissível. Onde vamos parar desse jeito?

O segundo problema, foi o mote desse post todo o resto foi enrolação (sorry). Meu sobrinho, que estava há coisa de 30 minutos massageando meus ombros com seus 40 e tantos quilos, de repente pediu pra descer correndo.
Desce dindo, desce e eu alheio ao motivo desesperado, até que ví a ala dos bruxos.
Sobre uma espécie de pula pula os bruxos tão bem maquiados e vestidos pareciam voar protegendo o carro de Cruela.
Pra fazer o pequeno assustado voltar assistir o desfile, tive que apontar o rosto dele pra rua e provar que o Buzz Lightyear estava vindo logo atrás, ou foi o ursinho pool? Não me lembro.


Se o mal não assusta, o bem não causa encantamento.
É uma condição natural da fantasia e isso tornou a coisa toda um ta
nto maior.
Dá uma impressão boa.
Uma impressão de que o mundo ainda não tá todo fudido.


Existem crianças que acreditam mesmo em fadas e em bruxas, assim como eu acredito num patrão que me pague o que eu mereça. É bom saber que a fantasia ainda existe e que minha filha não está vindo prum mundo onde todo tipo de referência fantástica infantil gira em torno do nx zero.

Enfim, foi cansativo, mas valeu a pena.

Sem mais, subscrevo.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Minha vizinha destruiu o quintal

Eu nasci em Salvador, mas fui ainda com cinco anos de idade pro interior.
Nazaré pra ser mais claro e Nazaré das Farinhas pra ser além de mais claro mais real.

Tive a melhor infancia possível naquele tempo. Quintalzão, galinheiro, arvóres pra cair do galho mais alto e tudo que uma criança pré computadoriana poderia querer pra uma felicidade completa e marcante.

Cresci de forma tão feliz e tão intensa que aquele quintal virou parte de mim. De mim, de meu irmão, meus primos e de todos os amigos da rua.
Lá era nosso campo de batalha, nosso espaço sideral, nosso mar, nossa floresta encantada. Lá crescemos dando asas a todas as imaginações pueris possíveis.

Essa semana eu fui pra lá e dei de cara com uma cena que me destruiu.


Minha vizinha destruiu o quintal.

3 mangueiras, uma pitangueira e uma ingá. Tudo cortado em pequenos e cruéis pedaços.
Quando ví a cena fiquei parado me perguntando: O que passa pela cabeça de uma pessoa que assite tv e deve ler periódicos de qualquer linha, fazer uma coisa dessas?

Como uma pessoa mata uma planta com mais de 100 anos? E 5 plantas? Será que nunca ouviu falar em meio ambiente, ecologia nem nada do tipo?

Não quis procurar saber.
Nada ia justificar.
Mesmo assim, soube que uma das árvores estava "condenada" não sei por quem, soube também que ela se envolveu em algum negócio financeiro com a frente do espaço (sempre o dinheiro) e a nova dona queria o quintal limpo (limpo?).

Não quero ser hipócrita e me lembro que pra construirmos uma área no fundo da nossa casa, o meu jambeiro foi sacrificado, mas tinha um propósito. Pequeno, torpe, sei lá, mas tinha um motivo. Plantamos até um outro e mais dois coqueiros no espaço que sobrou. Pode ter substituído, ou não, mas tinha uma bosta de desculpa.

O que de pior, me ocorreu é que eu não tenho fotos desse espaço antes.
Talvez em segundo plano, mas não uma foto do meu mundo infantil. Esse, não existe mais. Está oficialmente morto.
Morreu, sem direito a adeus e levando um poquinho de todos nós com ele.

Sem mais subscrevo.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

O incômodo

Hoje peguei um ônibus pra voltar pra casa. Estava numa cidade há cerca de 100 km de Salvador e, por incrível que pareça, o trajeto pode durar até 3 horas.

Carro vazio, cerca de 8 pessoas. Um silêncio gostoso e o soninho engatilhou-se automaticamente. Quando o tiro de Morfeu estava a um sopro de mim, eis que me surgiu um casal jóvem que sentando ao meu lado, não demorou pra ligar o celular com músicas evangélicas.

De pronto o sono foi embora e eu constituí a narrativa:

- Ei, vcs.
- É vcs.
- Me digam uma coisa, se eu tivesse ouvindo algum tipo de pagode, em que as mulheres são chamadas de cachorra, latíssem e ralassem a xana em algum lugar de baixo calão, nessa altura que vcs estão ouvindo seus cânticos, como vcs iam encarar?
- Pois é, sua música me incomoda tanto quanto. Dá pra desligar?

Fácil. Principalmente pra mim que já tenho um histórico desse tipo de reação, mas no momento não sei o que me deu. Simplesmente levantei, peguei minha mochila e fui pra última cadeira do ônibus. Lá, com o motor ligado, raramente ouvia alguma coisa, mas ouvia e isso acabou com o meu dia.

Ontem, batí na porta do meu vizinho pra comunicar-lhe que se ele voltasse a fazer festas barulhentas, ou andar nu pela cassa com a porta aberta, nós íamos ter um problema que eu sinceramente estava alí pra evitar. Ele ouviu calado e hoje de manhã se mudou, não por causa de mim acredito, mas se mudou levando a reflexão.

O fato é que eu brigo pelos meu direitos, ou pra defender aquilo que eu acho certo todos os dias em que sou confrontado com esse tipo de situação. Tanto, que eu nem me lembrava como é chato se omitir. Eu me omití. Por preguiça, por achar que eles não mereciam minha lição de moral, por sono, sei lá. O fato é que eu não consegui mais dormir, mesmo depois que eles desligaram, ou a bateria daquele diabo acabou.

Não dormí, mas pensei. Pensei em como seria minha análise se fosse um preto ouvindo reggae, ou um menino com o cabelo moicano ouvindo pagode. Sei o que pensaria.
Mas e nesse caso? Foi menos falta de educação?

Não acredito em rótulos, vcs sabem. Não acredito que existe esse, ou aquele tipo de atitude, ligado a esse, ou aquele grupo social. Só existe gente educada e gente mau educada.
Esse foi um típico exemplo de casal mau educado. Por acaso branquinhos, bem vestidos e crentes. Por acaso.

O fato é que não é bom ser conivente com esse tipo de situação. Me arrependí de não ter falado, me arrependí de ter assinado, junto com todos os outros passsageiros, uma carta em que dizia:
- Muito obrigado por vcs estarem aqui nesse ônibus, com essa música ungida (ou que quer que eles usem como adjetivo para ótima qualidade). Nós todos estamos adorando isso. Por Favor, juntos ou separados, em todas as viagens, ou lugares públicos que vcs estejam, não esqueçam de repetir isso. Não esqueçam esse celuarzinho abençoado.

Eu sou chato sei. Mas hoje fui chato comigo mesmo e com meus parcos direitos de cidadão. E quer saber? Não gostei.

Nem gostei, nem pretendo fazer de novo. Mal educados do mundo tremei. O Pablo de sempre está ainda mais chato a partir de hoje.

Sem mais, subscrevo.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

O bem vence o mal. Será?

Eu não sei quantos anos tinha.
Não mesmo.
Sei que era novo, mas poucas coisas restaram depois de tanta cerveja na minha cabeça como essa musiquinha:



Não me lembro de ter assistido muitas vezes, nem da letra toda, mas esse refrãozinho... Quantas mesas de bar ouviram amigos meus dizendo que se lembravam tb.

Triste pensar que se Gorpo e Dree Elle estivessem nesse mundo paralelo daqui, eles não poderiam cantar essa música. Aqui o mal vence às vezes.

Jornal de hoje:
Motorista de táxi bêbado, com a carteira suspensa, envolvido há 9 anos em acidente com morte e respondendo por crime de estelionato, desce uma das principais avenidas de Salvador na contra-mão e atinge um casal de idosos que estava a caminho do trabalho.

Jornal de ontem:
Policial militar que não passou no psicoteste mas fazia parte do Comando de Operações Especiais graças a mandato de justiça, mata mulher com quem oficializara união há 72 horas.

Jornal de ante-ontem:
Cabelereira presta 8 queixas de ameaça contra ex-marido e mesmo assim é assassinada na frente das câmeras de circuito interno.

Jornal de todo dia:
Preso, filmado, indiciado, apontado e visto, não sei quem, recebendo dinheiro de desvio público.

Reflexão de todo dia:
Tá foda pagar minhas dívidas e impostos e viver com o mínimo de decência, honestidade e conforto.

Dizer que o mundo tá todo fudido é lugar comum, não é sobre isso esse texto.
Na verdade se vc esperava, um guia sobre como superar as adversidades, ou algo próximo dos clássicos Augusto Cury e Ana Maria Braga, esse é seu primeiro contato com esse blog.

Talvez isso aqui seja só um desabafo, talvez mais uma reflexão sem maiores repercussões.
O fato é que tem hora que é foda.
A gente trabalha, rala pra caralho e vê todo dia crescer gente que leu um décimo de livros que eu, ou que deu, durante sua vida toda, mesnos bons dias do que eu esse mês.

Tenho estado reflexivo esses dias não estranhem. Não é uma crise de revolta contra o sistema. O sistema é falho, agressivo, rude, não alivía. Eu sei. Aprendí rápido.

O que eu levei tempo pra apprender é que causa e efeito são só produtos de estudo da física. Mais nada.
E o meu mêdo ta aí. no embrutecimento das pessoas frente a essa constatação de que muita gente boa se fode e muita gente ruim se dá bem. Como é que se consegue plantar numa pessoa que está moldando seu caráter bons valores? Se ela assistir televisão e tiver o mínimo de senso crítico então, quase impossível.

O que me conforta é acreditar que ser bom ou ruim, independe de ensinamento ou de reflexão. Depende de um conjunto de bom caráter, bom ambiente familiar (seja lá de que tipo) e acima de tudo bons exemplos. Vou tentar fazer isso e torcer pra que mesmo assim os meus cresçam.

Quanto ao Gorpo, Alguém diz pra ele parar de cantar, passar a pica (ou equivalente erótico) em Dree Elle e deixar o resto com He-Man. Por lá, no final ele sempre dá um jeito.

Sem mais, subscrevo.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Eu, o hippie e os rótulos.

Hoje eu ví, no Porto da Barra, um hippie pra quem dei R$ 15,00 em Itacaré.
Na época, me lembro que cabeça ficou doida:

- Tá maluco? R$ 15 assim sem nada?
- Nada? Ele me deu um anel bacana.
- Isso?
- Vc nunca vai usar isso.
- Eu sei.
- Então pra que vc comprou?
- Eu não comprei. Troquei por um pouquinho da coragem dele...

Eu invejo os hippies. Sério mesmo. Esse em questão chegou do nada. Estávamos tomando uma cerveja na praia da Ribeira, em Itacaré, quando ele chegou.

- E aí Bródher? Curte um artesanato?
- Não, mas senta aí. alheio ao evidente descontentamento de meus sogros.
- Tenho uns colares malucos aqui, feitos com umas castanhas sinistras do rio Amazonas.
- Onde vc conseguiu isso?
- Eu catei quando tive lá.
- Tem quanto tempo isso?
- Sei lá.
- Vc veio de que?
- De Bike até onde a bike aguentou, depois deixei ela de lado e continuei a pé.
- Onde mais vc teve? Tem quanto tempo que vc roda por aí? Como é que vc vive e muitas, muitas outras perguntas. Queria saber como funcionava essa vida que sempre me fascinou.

- Cara, tempo é uma coisa meio louca pra mim. Não me ligo muito. Devo andar há uns 4 anos sem parar. Antes de ter passado um tempo em casa, andei uns 6. Já conheci esse pais todo, vivo do meu artesanato. Junto umas coisas loucas aqui com umas outras alí, amarro com arame e é isso. Trocando experiência saca?

A essa altura meu olho brilhava como hipnotizado por aquilo. Não consigo pensar em nada mais vivo do que conhecer um pais, um mundo, sem nada nas costas, nada seu.

Vc sai de casa e diz: -Até.
Volta depois de 4, 6 anos, barbudo, magro, maltrapilho e rico. Rico de idéias, de experiências, de fotos na cabeça. O cara viu coisas que ninguém nunca viu. Nem vai ver. Não com a ótica dele.

Raciocine: O que é que te move? Vc vive pra que? Por que vc acorda todo dia pra trabalhar?
É impossível que vc saiba responder sem parar pra pensar numa resposta inteligente.
Eu perguntei mais ou menos isso pro cara e ele me respondeu na lata:
- Eu só acordo e vou.
Vc tem idéia do tamanho disso? Vc saber exatamente o que fazer todo dia?
Tá pronto. É só acordar e ir, sem saber bem pra onde, sem saber porque, só pra que.

O mundo é tão grande e tá todo aí pra quem tem coragem de conhecer. Eu não tive, não tenho, ou tenho muito pouca. Logo, conheço pouco. Sou um covarde.
Então como não ter inveja de uma cara que larga tudo e vai conhecer o que der enquanto tem tempo? Sou sim fã de quem bota a vida nas costas e vai fazer o que quer.

Não que eu seja triste, ou frustado. Fiz escolhas. Troquei o mundo pelo meu mundo. Por montar uma família linda e conquistar meus quereres um a um. Na raça. O que também necessita de uma coragem monstra. Dá insegurança, medo, felicidade.

Muita coisa do mundo despreendido e corajoso a gente acaba conseguindo trazer pra perto. Um blog, um par de brincos e uma tatoo, mas uma coisa eu não vou conseguir trazer de lá: O desapego aos rótulos.
No meu mundo existem os ricos, os pobres, os heteros, os gays, os bem sucedidos, os honestos, os mal educados, os burros, os gênios. Os sarados, os cabeças, os coloridos e sei lá mais quais rótulos bbbnianos.

No mundo dos loucos e dos hippies só existe O gente boa e O gente ruim. Parece simples, mas pra mim era só como tudo deveria ser. E como no fundo tudo é.

Acho que na verdade, o que eu gostaria, era de uma vida menos corrida, menos urgente, mais aproveitada, mais vivida. Uma vida sem as exigências idiotas da sociedade, sem os tais rótulos. Com ostentações de menos e viagens de mais, de todo os tipos. Uma vida onde houvessem dois tipos de gente:

Os parceiros e os filhos da puta.

Aos parceiros o acaso.
Aos filhos da puta a ordem.

Sem mais, subscrevo.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Eu vou meter o dedo


Antes de meter o dedo, como eu gosto de fazer de vez em quando, quero dizer uma coisa:

Esse é um post de opnião, portanto:
Vc que vem pela primeira vez, dê uma olhada pra ver se essa idéia bate com a sua. Se bater, seja bem vindo e fique a vontade. A casa é sua.
Vc costumaz, que já imagina o que vem por aí, se não tiver a fim hoje, pode voltar a trabalhar.

Isto posto, vamos ao que interessa:

Muito se falou esses dias (que jeito ridículo de se começar uma narração) sobre a moça do vestido curto da Uniban. Postaram vídeos dela desfilando em seu modelito, expulsaram depois desistiram, a Une fez paralisação em frente a faculdade, e mesmo faltando os tambores do Olodum no pelourinho para dar a sua parcela de contribuição ao fato, a moça virou celebridade.

Geise Arruda o nome da garotinha.

Ao primeiro olhar, parece que o Brasil é um pais de sacana. Que a a mídia é porca, vazia e até eu pareço um desocupado quando paro pra escrever sobre isso. Parece, mas na verdade nada nunca é tão simples.

O levante popular sempre tem um motivo. Nem sempre um bom é verdade, mas sempre tem um. Nesse caso, será que apenas uma saia curta , ia criar essa comoção? Acho que não.

O que eu acho é que alí se trataram de forças destintas:
De um lado os recalques femininos disfarçados de moralismo, aliado a impotência machista disfarçada de vandalismo e de infantilidade.
Do outro a esculhambação muleque, a safadeza, a vontade de aparecer disfarçada de saia curta e de liberdade de expressão.

Elas estavam com inveja.
Queriam lá no fundo ter um pouquinho do instinto vadio da mulher dada.
A mulher que bota os pernões de fora e sobe a escada empinando a bunda pra mostrar os dotes. A mulher safada descompromissada, desimpedida que se vc cantar bem leva. Alí na hora.
A cachorra, aquela que não tá nem aí pro que a avó pensaria, vai na loja, compra a calcinha mais sacana, o vestido mais escroto e vai pra faculdade abusar.

Eles queriam pegar.
Queriam ter dinheiro pra pagar, mas não tinham.
Queriam ser bonitos, ou bons de papo pra levar de graça, mas não eram.
Queriam ver ela nua, mesmo que pra isso inflassem a balburdia, na intenção de que as carolas lascassem aquele vestido rosa e eles pudessem enfim ajudar.
Quem sabe uma mão aqui, ou outra alí pra cobrir os predicados da pobre e indefesa jóvem.
Instinto primitivo e já que estupro é crime uma bronha decente era o que eles se achavam merecedores.
Era só isso que eles queriam.

E ela? Ela queria isso mesmo.
Se mostrar, aparecer, abusar, afrontar, ser o alvo da punheta alheia.
Tinha corpo e teve peito pra isso. Por isso fez e eu acho louvável.
Claro que as coisas sairam muito melhor do que o esperado e a qualquer momento saberemos pra que revista ela vai pousar nua.

Eu tenho uma memória razoavelmente boa e me lembro de uma outra moça que teve um vídeo de sexo caseiro vazado na internet e por isso tb teve que sair escoltada pela polícia de uma faculdade.
As pessoas ficaram indóceis quando viram que mesmo depois do tal vídeo ter feito sucesso na net ela ainda teve a coragem de aparecer em público.
Como é que uma impura, uma mulher que faz sexo, tem coragem de aparecer no sagrado chão da universidade particular?

Estudei em uma universidade pública. Conviví com todo tipo de gente. Mulheres mais específicamente.
Gente boa como minha esposa. Gente não tão boa. E vagabundas da pior espécie. Sabe qual era a diferença no tratamento? Nenhuma. Sabe porque? Ela tava lá porque teve competência pra estar, não porque teve dinheiro pra estar. Isso faz uma diferença enorme.

Acredite quem quiser. Não faço distinção entre pessoas. Tem gente boa e ruim de todo jeito. Homem, mulher, preto, branco, católico, judeu, delegado ou prisioneiro. Rica ou pobre. O que eu quis dizer no parágrafo acima é que me assusta o que pode nascer de um lugar, onde as pessoas são educadas pra gritar pelo que querem com uma nota de dinheiro na mão. Tenho visto isso e esse tipo de gente me enoja. Pseudo riquinhos que podem tudo e mocinhas donas da verdade.

Não me surpreendeu o reitor querer expulsar, muito menos ter desistido. A mídia sem dúvida ainda é o melhor sistema judiciário do mundo. Na verdade nada me supreendeu. Todo mundo alí fez o que quis e aguentou as consequencias de. O que me motiva a escrever e a pensar sobre o caso é o estalo. O momento, o tiro acidental que dispara a guerra.

O que aconteceu pra ter começado? Os bois correm pra direita porque o boi da frente foi forçado a correr pra direita e gente é gado. Gente é motivado pelas mais diferentes razões, mas sobretudo pelo extinto do coletivo, da manada. Não era a primeira vez que ela ia daquele jeito. O que motivou a primeira pessoa a chamar ela de puta e correr atrás? Nunca vou saber, a mídia não tá interessada nisso.

A mim cabe pensar em quantas vezes eu fui o primeiro boi. Quanta gente eu devo ter prejudicado, ou feito bem por puxar a boiada. O ser humano realmente é intrigante.

Quanto as moças. Espero que não se sintam acuadas. Espero que continuem enfeitando as praias, as faculdades, as academias e todos aqueles lugares míticos onde se podem ver esses espécimes em seu habitat. Se mostrando, aparecendo, sendo cobiçadas e valendo cada centavo e tempo gasto com o corpo.


Vão pequenos grãos de discórdia entre casais, vão ao mundo criar balbúdia e torcicolos. Vcs são necessárias a sociedade moderna mais do que imaginam. Vcs são o elo perdido da consciência machista e retrograda. Um dia, quando olharmos pra uma bunda como a de vcs não pensaremos apenas no prazer que ela pode proporcionar quando de quatro chamam por um nome, mas no que isso vale realmente.


Pra que vale uma mulher?
Essa é a grande pergunta.
Afinal, ensinamento bom é aquele que acaba como começa.

Com uma dúvida.

Sem mais, subscrevo.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Não acreditem em tudo que eu escrevo

Ontem eu falei que estava sem clima pra escrever sobre a última semana e tal, mas hoje. Bem, hoje é hoje e eu não vou conseguir seguir a rotina sem lembrar da semana passada.

Quarta passada, há exatamente uma semana. Fui pro hospital de manhã cedo como tinha feito nos últimos 2 dias. Cabeça se recuperando bem, mas ainda com alguma dor. Passa o dia e uma inesperada falta de ar começa. Médicos. Derrame na pleura, pulmão etc. Preocupação aumenta e uma sensação de impotência que parece vai arrancar suas pernas.

Passei a última quarta feira entre procurar mais informação, rezar pro rim dela aguentar o tranco, rezar pra parar de doer, rezar pra conseguir manter a respiração sem precisar ir pra UTI, rezar por rezar e sofrer com cada suspiro dela.

Só no final da tarde, começo da noite, qdo não dava mais pra se esconder dos enfermeiros depois do encerramento da hora de visita, ela começou realmente a melhorar e eu sai do lado dela e ir pra casa e não dormir com medo de acontecer mais alguma coisa tão inesperada como o dia todo.

Aprendí a gostar de hospital. Não sei o que faria se ela não tivesse lá. Tão bem assistida.
Aprendí que a vida é tão frágil, tão rápida que parece um contracenso se amar ou amar tanto uma pessoa.
Aprendí que amigos e família são bens que a gente sabe que tem, sabe que pode contar, mas é numa hora dessas que vc separa o que é realidade e o que é teoria.
E finalmente, aprendí que tem horas que aquela história de dar a vida por quem se ama pode deixar de ser retórica e essas horas marcam vc pra sempre.

Sem mais, subscrevo.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

O dois lados de uma história

Fim de semana passado, em um bate papo entre amigos, ouví um relato de um trecho extremamente emocionante da vida de alguém.
Independente do trecho, uma coisa me chamou a atenção.

Uma história, mesmos personagens, jeitos diferentes de contar.


De um lado um filho orgulhoso da mãe, do outro uma mãe envergonhada do filho.

A história vc já viu antes. Sérias dificuldades financeiras em algum ponto da vida. Viu, mas talvez não tenha sentido. Talvez não tenha visto um filho dormir com fome, talvez não tenha passado a noite em claro sabendo que o amanhã vai trazer outra noite.

Viu, mas não sentiu um brilho inabalável nos olhos desse filho que dormiu com fome, hoje, ao de um lado lembrar com memória de infância e do ountro olhar pra mãe, que a essa altura lembra com memória de adulto castigado.

Ao ouvir esse relato, não só eu, mas todos nós nos emocionamos, o que poderia por sí só se transformar num relato. Mas não é quanto a isso que me coloco aqui. Este é sobre o que me move, ou move qualquer um de vcs.

Eu nunca fui deslocado pelo que me inspira no momento. Nunca fui movido por um instinto imediatista de resoluções práticas de um concurso público. Talvez por isso ainda nade tão forte, mesmo a competição ja tendo começado a tanto tempo. O que me moveu e o que me move, não é o que os outros lados estã vendo hoje, mas como o isso de agora serviu pra construção do isso de amanhã.

Quero, preciso e vou olhar pro ontem de amanhã e ver com meus olhos de dureza, enquanto olhos de esperança vão pensar que também podem.

Pode parecer filosófico, mas é simples assim.

Sem mais, subscrevo.

sábado, 9 de maio de 2009

Salvador segue fudido, eu tô melhor.

Ontem parou de chover um pouco em Salvador, o que me deu a falsa impressão de que as coisas iam melhorar.

Pra quem não mora em Salvador, não assiste o Jornal Nacional, ou não é desse mundo: Salvador está em baixo dágua.
Pra quem é novo por aqui e não é um leitor desse blog (provavelmente tinha uma vida melhor antes), eu estou me recuperando de uma crise de dor nas costas que me roubou uma semana.

Isto posto, tive a idéia brilhante de, no post abaixo, travar uma analogia entre a minha crise lombar e as chuvas em Salvador. Idéia que mais tarde se mostrou, não suspreendentemente, idiota.
Não vi jornais entre ontem pela manhã e hoje meio dia. Também não passei por alagadiços, logo, tive a falsa impressão de uma melhora no clima da cidade. Falsa. Acabei de ver que muitas casas caíram e tem gente soterrada. Meus sinceros sentimentos. Deve ser foda não poder contar com um lugar seguro pra se esconder.

Do meu lado, não sei se estou melhor, ou me acostumando com a dor. Já tomei uma infinidade de remédios e fiz duas seções de acupuntura (aquele chinês desgraçado quer me aleijar com aquelas agulhinhas dos infernos), mas de um jeito ou de outro consegui trabalhar um turno ontem.
Continuo torto, andando igual a um pato, mas andando. Ou seja, Tô melhor.

Por isso chega de falar de doença. Vamos, aos poucos, voltar a acabar com nossos fígados e tocar a bola pra frente (tô precisando mesmo tocar minha bola pra frente).

Agradeço a todos que me deram dicas de clínicas que atendiam pelo sus, garrafadas ou a miséra da acupuntura. Desejo que quando vcs sentirem coisa similar ou pior, esteja lá o CATO, o COT, ou CPQV (caralho preto que voa) disposto a lhes ajudar.

Sem mais.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Chuva, dor e HGE

Quem não mora em Salvador, ou mora em algum lugar onde a chuva faça parte do cotidiano, não entende porque tanta comoção com as chuvas que não param por aqui.
Salvador é feito de açúcar, doce, gostoso, mas não suporta água. Simplesmente se disfaz e tudo para.

Igual a mim. Difícil ficar doente, mas quando fico...

No momento estou em casa. O médico me proibiu de trabalhar pelos próximos 3 dias. Logo qdo chove como há muito não chovia.

Vamos voltar um pouco no tempo:

Há uma semana comecei a sentir uma dor nas costas. Normal, pensei. Tô ficando velho, não faço exercícios etc.
Passei o fim de semana prolongado meio de molho. Sem beber pra ver se os remédios faziam efeito. Ontem não aguentei mais e resolví fazer o que fosse possível pra poder andar novamente, mesmo que isso significasse, gastar todo o meu dinheiro num médico.

Reuní a família para uma decisão. Pra onde ir a procura da cura. Algo como aquelas decisões de pra que bar ir, só que com uma dor que me impedia de respirar direito.
Cabeça achava que o melhor era o COT, já pra Neto o HGE seria a melhor opção. Segundo ele, o hospital é muito bem preparado e de graça, já que eu não tenho plano de saúde.

Decidimos tentar os dois. HGE primeiro e se minha intuição estivesse certa, de lá correndo pro COT.
Pra mim HGE era o lugar natural pra onde eram encaminhadas as pessoas que tinham tido sua cabeça suprimida do corpo por algum motivo. Me imaginei no hospital, onde entre pedidos de licença, veria passar por mim, uma pessoa gesticulando sangue de onde um dia foram suas pernas.

Chegando no maior hospital da Bahia, ví que não era (ou não estava) nem como eu pensei, nem como Neto falou. As pessoas tinham cabeça, mas estavam morre, não morre do mesmo jeito. Existiam pernas, mas dos seus donos emanavam uivos que me fizeram relutar. A dor foi maior e eu persisti.

O problema mesmo foi a falta de coordenação. Ninguém sabia quem atendia o que, ou quem. Tentei travar diálogos com pessoas de jaleco, mas ouvia sempre um:
- Alí naquela sala. Como se eu fosse um imbecíl completo por não saber. Era como se todo mundo que tivesse alí era uma espécie de reincidente.
Quando enfim percebí que teria de persuadir (bater em) alguém pra ser atendido, não aguentei e saí de lá o mais rápido possível (2 ou 3 passos por minuto).
Drumond e Nílton, meus fiés companheiros de jornada, (a quem realmente agraceço a companhia) já me esperavam sob olhares de negação de Drumond.

- Eu sabia.
- Tá vamos pro COT. (cabeça mais uma vez estava certa)

Lá não foi tão rápido quanto eu pensei, mas pelo menos não tinha ninguém morrendo, o que foi determinante pra minha melhora.
Foi uma divertida tarde entre Raios X, injeções e macas. Voltei pra casa com uma receita e a indicação que a quase dor de parto que sentía, não era o que eu pensava (a morte lenta chegando). Era apenas uma lombalgia aguda (nome fresco pra dor muscular nas costas, o agudo foi pra ratificar que tava doendo pra caralho).

Passei na farmácia, fui pra casa e me entupi de remédio, um dos quais me alegrou bastante porque é a base de morfina e dá um barato legal, além de sono. Muito sono.

Ao fim, chegamos ao começo:
Não fui trabalhar hoje, amanhã também não vou. Hoje não parou de chover, amanhã provavelmente também não vai.

Resumindo: Salvador e eu estamos fudidos.

sábado, 2 de maio de 2009

Tribos, bolos e reflexões.


Em uma das últimas reuniões de planejamento de evento que participei, falei uma coisa que causou comoção. Disse:
- Essa festa vai atrair muito gay e isso é perigoso.
- Óóóóóóó (foi como se eu tivesse dito que a mãe do patrão era puta. Pescoços quase se quebraram ao virar pra mim).
- Isso foi preconceituosso? (aquele tipo de pergunta afirmação)
- Foi (respondí)
- Vc não me parecia preconceituso.
- Deve ser porque eu não sou.

Explico:

O que eu quis dizer é que toda vez que se faz um evento pra um público muito específico, a chance daquela tribo se sentir atraída é igual a de todas as outras se sentírem repelídas.
É assim com os índios, os gordos, os feios, os albinos ou crentes.
Imagine uma festa destinada ao público acima de 150 kgs. Se vc tem menos do que isso, ou não se identifica com esse público, o que vc vai fazer lá? Por outro lado, se vc chega numa festa e tem 100 pessoas acima de 150kg isso passa despercebido.

Tribos tendem a levantar bandeira e considerar aquela festa, ou aquela casa como sua, porque se sentem a vontade alí. Isso é normal. Não sou contra festas direcionadas, muito menos contra grupos sociais, só acho que se for pra ser direcionada, que seja. Não aceito ser surpreendido por esse, ou aquele nicho de mercado, lotando ou repelindo lotação em alguma empreitada.

Tribos se odeiam em igual proporção ao que se diferem. Ninguém se sente bem em estar num local onde não se sente parte integrante dele.

E por falar em tribos, uma tem me chamado a atenção ultimamente.
Não uma, mas várias que se fundem em uma. A tribos dos bem afortunados. Vips, Ricos e etc.

Os VIPs
A tribo dos Vips é a única que tende a atrair mais do que repulsar outras tribos, ela também tem uma boa tolerância a outros grupos. Vips são cerejas, eles sabem que precisam do bolo pra serem especiais.
São geralmente compostos de artistas, jogadores de futebol e empresários influentes.
São extremamente difícieis. Não pegam fila. Apesar de chegarem religiosamente ao mesmo tempo.
Não suportam atendimento generalista, atendimentos pessoais e exclusivos são indispensáveis.
Consomem muito e não pagam nada, mas atraem mídia, glamour e consequentemente dinheiro, o que justifica sua permanência, ou mesmo passagem pelo evento.

Os Ricos
Se os VIPs são cerejas, os ricos são a cobertura do bolo. Se acham vips, não querem pegar fila e sempre usam o sobrenome de alguém que manda pra se sobressair, são em grande parte arrogantes e amostrados, se sentem diferentes, apesar de usarem por exemplo, as mesmas roupas:

Mulheres:
Se gostosas, roupas de grife curtas, coladas espalhafatosas e combertas de assessórios (piriguetes de luxo);
Se meeiras, roupas de grife, preta, média e com bastante assessórios;
Se barangas roupas de grife preta, comprida e com pouco ou nenhum assessório.

Homens:
Calça jeans de Grife e 3 tipos de camisa: Gola V muito cavada porque tá na moda, Gola Polo com números grandes, porque tá na moda e camisas com imensas gravuras da grife, porque essa nunca sai de moda.

O Bolo
Por último, a tribo do bolo. Querem estar perto dos vips e dos ricos e para isso se sujeitam a ser barrados na porta e esperar um amigo pra conseguir entrar;
Gastam todo dinheiro em roupas pra estar dentro do grupo;
Passam despercebidos e bebem a mesma cerveja a noite toda porque gastaram o dinheiro nas entradas, ou simplesmente porque não podem mesmo pagar uma long neck que custe mais de R$ 5,00.

Juntas, essas tribos formam uma massa consumidora poderosa e atraente, mas acima de tudo uma tribo;
Eventos direcionados a eles devem ser pensados pra eles;
Eles também repulsam outras tribos;
Eles também são perigosos, como os gays, os tocadores de tuba, os síndicos, os sadomasoquistas, ou os racionais do 3º milênio.

Afinal, é isso que as tribos fazem.
Potencializam aquilo que o ser humano é. Pro bem e pro mal depende da conveniência.

sábado, 25 de abril de 2009

Trabalho e mais trabalho

Sou o burro de carga da humanidade.
Trabalho como um burro, por isso ganho como um (mesmo que seja só por enquanto) .

São 15:30 de sábado e eu ainda me encontro no escritório, de frente pro computador, traçando com avidez proporcional a minha fome (já que ainda não almocei) umas tantas planilhas do excel.
Excel pra quem não sabe, ou não é deste mundo, é um programinha criado pela 3ª besta do livro apocalipse, Bill Gates, para dominar o ser humano.

Muitos pensam que o dinheiro domina o mundo, outros pensam que é o sexo, outros ainda a tecnologia. Besteira. Quem controla o mundo é o excel e claro seus descendentes camuflados em planilhas das mais diferentes espécies progrâmicas.

Planilhas são pregos de adamantium enfiados nas nossas bundas, nos pregando nas cadeiras e nos fazendo perder o fim de semana. As odeio, mas não me imagino sem elas.

Ví em algum lugar, algo como "a vitória é feita de noite, porque durante o dia vc faz o que os outros fazem".

Hummmmmm.

Pensei nas putas, nos vigilantes e nos motoristas de pernoitão, afinal, burro que sou, demorei pra perceber que a essência dessa frase está entre beber e virar a noite trabalhando.
Como faço religiosamente os dois entrecortadamente. Se essa frase tiver o mínimo de poder sobre-natural. Tô feito.

A vitória é minha.

Que me sigam os bons.

Hoje pra beber, amanhã tb, segunda eu trabalho sozinho mesmo podem deixar.

E lembrem-se: Não tenham pena do seu fígado. No futuro ele não terá pena de vc.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Ainda cansado

Nesse momento, depois de 10 horas dormidas, ainda me sinto cansado. Muito cansado.
Semana Santa foi tanto cansativo, quanto proveitosa e divertida.
Além de termos montado a Temakeria, eu ainda ajudei, no que pude, a produção do Caxixi Fest. Ambos foram um sucesso.
É muito bom terminar um trabalho cansado, mas com a sensação de vitória. A dominação do mundo passa por isso.

(Esse post eu comecei a escrever pela manhã, mas como vcs podem perceber não tive tempo, já são 17:30h)

O que me faz não ficar puto com isso é que no final das contas, eu sei que tudo vai dar tudo certo e eu vou chegar ao final da vida, sentado no meu bar, com um computador (ou equivalente tecnológico) no colo, escrevendo posts (ou equivalentes tecnológicos) longuíssimos e chatíssimos, enquanto brigo com um garçon e peço mais uma cerveja a outro.

Até lá, preciso trabalhar formalmente, o que tem dificultado minha rotatividade, mas como eu disse anteriormente no final vai dar tudo certo.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Saudades

Ando com saudades de alguns amigos.

Engraçado, levei uma temporada com saudade de minha casa em Nazaré.
Passei o verão tendo contato com grandes amigos, mas longe de minha família.
Durante os últimos dias, estive muito com minha família, agora tô com saudade de minha família e dos amigos que não vejo desde o longínquo verão.

Gente é assim, nunca tá satisfeito (deixando claro que isso não inclui minha esposa).

Mas sério, tô com saudades mesmo de beber até cair com Lory, Cabeça e com Jorginho, dos Danieís, de Dinno, Maneca, Rodrigo, Jumar, Rob, Zé Ângelo, Tio Cau (e sua enrolação) e de Fábio (lá na França). Matei um pouco da saudade da galera de Nazaré, durante esses últimos dias de março, mas a vida é foda. Faz tudo pra nos afastar das pessoas que a gente gosta e o pior, consegue.

Veja esse exemplo:
Quando eu tinha tempo, não tinha carro nem dinheiro, agora gasto todo meu tempo e dinheiro pra pagar o carro. Sigo portanto sem ver minha galera como gostaria.

Claro que eu sinto falta de muitas outras pessoas que eu não coloquei o nome aqui, não fiquem zangados. Mesmo porque vcs não me visitam por aqui.
Se visitam e eu não falei em vcs, joguem duro. Briguem, eu brigaria.
Se algum dos meus, me esquecer, é sinal que eu ando sumido mesmo e que também depende de mim a lembrança.

A esses:
Sejam melhores comigo do que eu com vcs.
Vcs merecem isso

e eu tb.