Demorei muito pra escrever esse post, porque pensei na possibilidade de um dia, quem sabe um dia, ela ler. E já que existe essa possibilidade, não dá pra ser um post besta como a maioria dos que existe por aqui. Tinha que ser alguma coisa que causasse um certo orgulho, emoção e não as sensações libidinosas e pejorativas que, vcs meus comuns, sentem quando perdem mais um naco de vida neste espaço.
Sendo assim: Era um dia normal. Um dia como tantos outros normais, em que vc acorda pra trabalhar e se depara com sua mulher, com um papel na mão, em dúvida se estava grávida, ou era
analfabeta.
Desde então tudo mudou muito. E rápido. Fui alçado de mais um brasileiro insatisfeito com o rumo de sua vida, para um brasileiro PAI.
Acreditem, não é fácil. As sensações foram tantas e tão diferentes que me lançaram num estágio catatônico em que eu só falava: - caralho(melhor palavra pra exprimir exclamação do vocabulário português)...
Na verdade eu queria dizer:
- Caralho como eu vou fazer pra sustentar essa criança?;
- Caralho vou ter um filho, que massa;
- Caralho Juliana já tava grávida no reveillon (hummm o reveillon);
- Caralho vou ter que casar (há isso eu já fiz);
e mais um milhão de outros "caralhos".
Cada um tem um momento só seu nesse processo. O meu foi assim. Perplexo, contemplativo, reflexivo e estático, mas lindo.
Só depois eu fui abraçar cabeça, dar beijos na barriga etc.
O fato é que depois dos sustos e alegrias iniciais, a vida toda está tendo que se adaptar.
Tudo tem que mudar.
Não dá pra ganhar os mesmos dinheiros de agora, porque as despesas vão triplicar;
O espaço da casa não vai dar, porque tá vindo uma pessoa super espaçosa, apesar de pequena, morar aqui;
A geladeira não vai dar, por que agora vai ter legumes, verduras, frutas sem deixar de ter cerveja;
Tudo vai ter que ser maior, mais espaçoso e mais rosa no meu caso.
Hoje estamos com 5 meses. Desde então tenho escrito pouco. Se parar pra pensar não tive muito o que escrever mesmo. Não me sentia a vontade pra falar do cotidiano antes de falar do maior dos meus cotidianos. Com isso, já sabemos o sexo e já temos nome. Cecília é o nome da coisinha gostosa que já agora nos tira o sono.
Claro que alguns já sabem da novidade, ou por convívio ou por
Jorge o ósado. Mas tá valendo tb.
Enfim, o que fica desse post é um recado:
- Cecília, quando vc era bem pequenininha, seu apelido era Feijão (vc parecia mesmo um feijão);
- Agora vc já tem outro: Meio quilo (adivinha porque);
- Não sei quantos mais vc vai ter, acredito e peço a Deus que muitos, mas o maior de todos vai ser "meu bebê".
A vida toda vc vai ser o meu bebê, mesmo grande, mesmo querendo me dar os nós que eu sei que vc vai querer dar, mesmo trazendo aqueles sacanas que vão querer lhe namorar pra me apresentar.
Então tenha paciência com seu pai. Provavelmente a arma que ontem eu apontei pro seu namorado tava descarregada, ou mesmo carregada, eu não tinha intenção de atirar.
Na verdade nessa, ou em tantas outras situações, eu só queria proteger vc, o meu bebê.
Vou nascer pai junto com vc e quero morrer pai antes, deixando aqui a única coisa realmente boa pro futuro. Você, O meu bebê. Já amo vc assustadoramente.
Sem mais,
Subscrevo.