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quarta-feira, 13 de julho de 2011

Mentiras em Família

Faz tempo descobrí que tenho bons amigos e amigos filhos da puta. Os primeiros geralmente não valem nada e os outros, teriam até um valor, mas são filhos da puta.

Hoje vou falar de um, que não merece de mim uma definição. (Agradeço a vocês se o fizerem depois nos comentários).

Um amigo que é especialmente escroto, um safado qualidade alfa.
Sabe aquele que diz que vai com certeza e na hora não aparece, não liga, não dá satisfação e ainda dá risada quando você liga perguntando? (Esse questionário, inclusive, é um spoiler já que quem o conhece sacou tudo, bem como, ele mesmo. Tenho certeza).

Esse amigo em questão, já deixou vários outros amigos em apertos diversos.

Reza a lenda, que uma vez ele marcou com uma galera que o esperou até desistir.
Como cabe a qualquer pessoa que se importe com a outra, alguém dessa galera ligou pra ele e disse:
- Vc demorou de mais. Já estamos indo pra casa.
- Não. eu tô no quarteirão. Já tô chegando. Gritou ele como do fundo de um poço com merda até o pescoço.
- Então vamos pra tal lugar porque aí já fechou.
- Ok. Aparentando estar mais aliviado com a certeza do salvamento.
Todos, ou boa parte, tomaram imediantamente o caminho oposto ao de casa pra ver o bonitão. Alguns dispensaram a carona pra voltar com ele, namoradas brigaram, estacionamentos foram garimpados e pagos e cervejas foram descendo até que uma hora e meia depois veio a descoberta de que na verdade ele tava em casa de toalha, meio dormindo, meio querendo levantar pra ir.

Outra lenda conta que ele estava com uma galera tomando algumas enquanto marcava, como sempre, com pelo menos mais três outras galeras. Dessa vez porém avisando sempre:
-Só não vou pro Festival de Verão;
- Aniversário de José? Tô lá, só não me invente festival depois;
- Cineminha e Café? Perfeito. Com esse programa é certo q não vai ter nem conversa de Festival;
- Batizado? Vou dar só uma passadinha porque já marquei um cinema.
E as marcações continuaram, seguindo uma sequência temporal perversamente calculada.
Era fato que não ia dar tempo pra metade dos afazeres, mas ele seguia marcando.

Final da tarde, bêbado, com o dedo em riste, tal qual um ditador sulamericano grita ele:
- Quem não vai pro Festival de Verão é ótário (ou puta nunca me lembro bem). E lá se vai a primeira das galeras pro tal Festival. Todas as outras, claro, esperaram.

Perguntado sobre essas situações ele responde:
- Quem não sabe que eu sou assim?

Verdade. Todos sabiam e tudo ia bem em nossas relações, eu de cá sempre rí com isso.
Diversas vezes eu até já falei pra ele, tal qual uma bicha ferida:
- Um dia eu ainda vou deixar de gostar de você.
E ele, tal qual uma bicha perversa por cima da situação dizia:
- Vai nada. E eu realmente nunca fui.

Até esse fim de semana...

(To be continued...)

sexta-feira, 18 de março de 2011

O que não faz um comentário

Hoje eu recebí um comentário. (na verdade não é mais hoje, mas há vários dias atrás)

Um comentário neste blog, tão abandonado, está pra mim como um crédito de R$ 1000.
Eu já ví, sei que existe, sei que um monte de gente recebe um monte todo dia, mas eu mesmo...

O comentário falava do post Eu, o hippie e os rótulos, que eu fiz nos idos de 2010, quando ainda escrevia por aqui. Como era de se esperar, eu corrí lá pra dar uma olhadinha no que a louca do comentário achou legal.

Puta merda que texto. Fiquei um tempo pensando se tinha sido eu mesmo o construtor, mas cheguei a conclusão que sim quando me ví pensando as mesmas coisas hoje.

O que poderia me deixar orgulhoso na verdade me deixou inquieto. Será que eu fiquei burro, idiotizado de alguma forma? Eu hoje não consigo nem imaginar escrevendo uma coisa tão prática e tão rica de idéias.

A vida transforma a gente tão rápidamente que é impressionante, como o ato de se olhar no espelho, de vez em quando, mostra imagens que não são nossas, ou pelo menos não planejadamente nossas.

Aí eu lí Bono essa semana e ví que o cara tá tão bom quanto. Talvez melhor e eu penso. Porra eu tô uma merda mesmo, mas enfim.

Já tentei retomar este, que um dia foi um aglomerado de coisas cheirosas e bolinativas, mas não deu. As coisas tão muito corridas deste lado do mar.

Mas não pensem vcs que eu vou seguir o caminho natural dos blogueiros, nerds e companhia. Eu não vou montar uma página pra ganhar dinheiro, (até porque eu não teria talento mesmo) nem vou trocar o blog por novos gadgets tecnológicos tipo twitter, face etc. que inclusive eu não gostei de nenhum.

Pode ser coisa de gente chata, mas eu acho o blog um troço meio poético. Você escreve sem ter certeza de que alguém vai perceber, mas mesmo assim dá o melhor de você e um dia, depois de morto, alguém olha e diz: - Legal. E pronto, do limbo, sua voz consegue dizer. Valeu.

Sem mais, subscrevo.