sexta-feira, 3 de junho de 2011

A vida real

Já faz alguns anos que saí da faculdade e nunca, até essa semana, consegui resumir o que eu aprendí por lá.

Nada. Já pensei várias vezes, mas não é verdade.
Enrolar pra entregar depois o que eu deveria ter entregado ontem. Verdade, mas não só isso.

Assumir que você não sabe, e saber que você vai ter que resolver sem saber.

Em outras palavras: Entender que você não sabe resolve, mas que o mundo tá cagando pra isso. Ele quer resolvido. Boa zeromeia boa!

Os bossais dizem que sabem, os burros têm certeza. E eu as vezes só tenho a certeza que se eu tivesse feito mestrado doutarado e o caralho, mesmo assim, não ia saber metade do que eu preciso pra tocar as coisas.

O restaurante tá bem. As pessoas tão perdendo o medo dele e vindo. O almoço que não era inicialmente o que eu queria fazer, mas fiz, tá pegando também e tenho festas marcadas de hoje até o dia 02 de julho.

Tudo parece entrando nos eixos, mas justamente agora um rapazinho chamado capital de giro se apresentou pra mim de uma forma um tanto quanto agressiva. Se eu pudesse, juro, sairia na mão com ele fácil, mas sinto q ia perder feio. Resolví, portanto, tentar resolver amigavelmente e a gente tá vendo onde vai dar.

As coisas na faculdade são tão plácidas, estáticas que qualquer denominação (e eles adoram denominações) parece ausente de alma:

Capital de Giro, inicial, final;
Benchmarking;
Ativo e Passivo;
Ativo executável, passível realizável;
RH, missão, valor, CRM, preço, prazo. Meu pau. Sei lá.

Pra tudo por lá tem um nome, uma regra infalível, um causo de sucesso, ou de fracasso.

Mas por aqui, camarada... A coisa fala mais grossa e estufa o peito.

Ou se tem dinheiro pra tudo, ou se fode, ou tem crédito pra rolar a dívida, ou se fode. Ou faz a compra certa, ou sobra, ou falta, mas em ambas você se fode.
Se a banda vem e as pessoas também e os produtos tb e os funcionários tb massa.
Mas se uma porrinha dessas não vem fode tudo.

Eu trabalho com eventos desde q o mundo é mundo e adoro. AMO e sinceramente não me vejo fazendo outra coisa da vida. Ponto final. Por isso meus caros, antes que vcs pensem que eu tô repensando minha vida, papai esclarece que está aqui apensas pra dar mais uma importante aula de grátis:

Se vocês pensam que todos os problemas do mundo vão desaparecer no momento exato em que vc abrir um bar e viver em festa. PENSE. Nem tudo é tão easy quanto parece. O mundo da putaria também tem suas várias dificuldades e se preparem (e isso é pra vida toda não só pra negócios) o grande barato da vida é ter calma e sangue frio pra resolver aquilo que vc não tem a mínima idéia de como resolver. Quando isso acontecer, acredite, vc tá começando a fazer alguma coisa diferente. Aliás aqui fica um parêntese. Conta T não serve pra absolutamente nada na vida real. Segue...

O problema é que ações diferentes trazem recompensas diferentes e elas podem ser boas ou ruins. Na dúvida, planeje direitinho e depois meta a pica.

Ok? Agora bjs a todos que papai tá cansado de tentar fazer a vida de vcs mais fácil, linda, cheirosa e bolinativa.

Sem mais.
Subscrevo.

domingo, 22 de maio de 2011

Babão

Eu chamava ele de Babão.

Desde quase sempre.

Uma vez eu fui em sua casa tomar aula de violão e de canto com o irmão dele, meu shidoshi e um dos poucos irmãos que eu escolhi ter na vida.

Quando entrei, ele estava embaixo do carro do pai, um chevete se eu não me engano. Ele me viu e começou a soltar uma baba pelo meio dos dentes separados. Eu, vendo um gordinho com cara de moleque, com os dentes separados cuspindo nele mesmo só pra sacanear alguém, não resisti: Adotei ele pra mim.

- O que é que vc quer babão?
E ele, quase automaticamente, começou a fazer mais baba e repetir babão, babão. Foi uma das coisas mais engraçadas que eu me lembro.

Daí a gente começou a se chamar de Babão.

Há uns 20 dias ele pegou uma bactéria e ficou em estado muito grave. Rezamos e ele venceu o pior quadro, foi melhorando e a gente tava super confiante no seu restabelecimento. Na quinta, porém, ele teve um aneurisma fulminante. Fato novo, que nada teve a ver com a tal bactéria.
Foi como se Deus dissesse.
-Pera,í vcs não tão entendendo não? É a hora dele respeitem isso!

Mas nós não respeitamos e intensificamos as orações até quando não deu mais. Eu fui pro hospital e cheguei a ir na UTI ver ele de perto. Precisava ter um choque pra ver se a ficha caía.

Não adiantou.
Pensei que a visão dele lá, parado, fosse suficiente. Mas bastou um toque na pele dele pra algumas imagens provarem ser mais fortes.

Lembrei de quando Cecília nasceu e ele foi visitar a gente com aquele sorriso do tamanho do mundo, os dentes falhados e a voz de criança.
- Babão! Gritou ele ainda do carro.

Lembrei de quando ele foi conhecer meu bar e de longe me chamou de Babão.

Lebrei que sempre foi assim. Sempre ele teve o mesmo sorriso e o mesmo dente falhado. Sempre teve a mesma voz e o mesmo coração de criança. Ele sempre foi Babão e sempre vai ser.

Não importa mais o que vai acontecer daqui pra frente, cara. Toda vez que eu estiver com seu filho vou falar do cara de fuder que vc foi. Vamos contar histórias e rir sem tristeza. Porque eu vou dizer pra ele que você não era triste.

A gente vai sentir sua falta pra caralho e eu nunca pensei que um dia diria isso pra vc, mas se chegou sua hora Babão...

Vá em paz.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

O Macho Alfa

O Conceito de Macho Alfa no Wick é esse: clique aqui , também é legal, mas o meu é mais prático:

O Macho Alfa é o que está por cima.

E aqui pra nós meus caros...

Quem tá por cima é que mete.

Lembrem-se sempre dessa frase. Vou até colocar de novo aqui para firmá-la nos seus sub-conscientes: Quem está por cima é que mete. Decoraram? Pronto.

Isto posto, fica a dica, seja mulher homem ou ornintorrinco quem tá por cima define a hora e isso é tudo na vida.

O Macho Alfa doravante denominado M.A., ou simplesmente MA, moderno é aquele cara pra quem todo mundo liga quando tá precisando de alguma coisa. Beber, fuder, sambar não interessa. No meu caso: Se divertir.

Eu já fui MA de vários nichos diferentes em Salvador e foi muito legal. Eu coordenava ingresso de eventos de MPB, de Axé e depois de boate, várias pessoas me ligavam e me tratavam como o último negão da Dadá. Eu não sei vcs, mas eu adoro ser tratado como o último negão da Dadá.

Há Pablo, mas esse povo só lhe trata assim pelo que vc pode oferecer, quando vc tá na merda ninguém te apoia. Eu Sei. E sei na pele, porque depois disso eu fui trabalhar num emprego formal (não sei onde eu estava com a cabeça) e meu telefone simplesmente parou de tocar. Era como se eu não existisse, como se eu tivesse morrido. Ninguém me ligava, as visitas no blog foram pro saco, eu não precisava mais esvaziar minha cacha de e-mail e por aí vai. Conclusão: Eu não nasci pra isso.

Voltar para o mundo bizz da Solterópolis era uma opção, mas eu sentía como se aquilo tivesse sido um passo dado. Não cabia mais voltar atrás. Daí surgiu algumas idéias:

1 - Vender tudo e comprar um barco de pesca;
2 - Jogar tudo pra cima, ir morar em Itacaré e viver o resto dos dias surfando e fumando maconha;
3 - Ir pra Nazaré montar um bar.

Apesar da total exequibilidade de todas as opções, confesso que fiquei em dúvida entre duas, mas eu respeito muito o mar pra ir pescar, então resolvemos vir pra Nazaré e tentar novamente ser o MA de algum nicho.

Por aqui as coisas são diferentes, mas tão legais quanto.
A titularidade de MA daqui se confunde com a do próprio bar e já que em Nazaré eu já tinha amigos, o processo ficou logo claro, sem milindres.
Quando o restaurante tem o melhor atrativo a galera vem. Quando não tem não vem.
É simples e honesto, ninguém me trata diferente do que sempre me tratou, ninguém me dá presentes, ou troca favores, ingressos, ou o que quer que seja. Em compensação, aparece quando o movimento tá fraco pra tomar uma cerveja comigo no balcão. Não sei pra vcs, mas pra mim isso é ser o último negão da Dadá.

Eu aprendí a brincar aqui de o MA da semana. Tem semana que ninguém faz nada na cidade porque sabe que minha programação vai brocar. Tem outras que eu não me atrevo a investir porque eu sei que o MA do sábado não vou ser eu/O Riviera, daí eu abaixo a cabeça e sigo a matilha.

Um dia, numa dessas pavorosas entrevistas de emprego com dinâmica de grupo, o entrevistador me perguntou:
- Onde você quer estar daqui há dez anos?
E eu respondí:
- Na briga;
- Como?
- Na briga, abrindo um novo negócio, sendo promovido a alguma coisa,vendendo tudo e virando hippie sei lá, eu só não quero estar parado sentado numa cadeira bacana me achando confortável.

Não sei o que ele entendeu, mas como era um cargo para uma cadeira bacana, eu não seguí no processo. Me arrependo até hoje de ter dito aquilo. Deveria ter dito:

- Eu só não quero estar de terno enchendo os culhões das pessoas me dizendo entrevistador. Depois sair da sala mandando todo mundo acordar pra vida e mandar aquele fila da puta se fuder.

Uma coisa hoje é clara pra mim. Aqui não é melhor do que Salvador. Nem pior. Ser MA aqui não é melhor do que ser em Salvador. Nem pior, não mesmo. Só é diferente.

E pra mim a diferença que realmente conta é que aqui eu sinto que estou onde devia estar:

Na briga.

Sem mais, subscrevo

sexta-feira, 18 de março de 2011

O que não faz um comentário

Hoje eu recebí um comentário. (na verdade não é mais hoje, mas há vários dias atrás)

Um comentário neste blog, tão abandonado, está pra mim como um crédito de R$ 1000.
Eu já ví, sei que existe, sei que um monte de gente recebe um monte todo dia, mas eu mesmo...

O comentário falava do post Eu, o hippie e os rótulos, que eu fiz nos idos de 2010, quando ainda escrevia por aqui. Como era de se esperar, eu corrí lá pra dar uma olhadinha no que a louca do comentário achou legal.

Puta merda que texto. Fiquei um tempo pensando se tinha sido eu mesmo o construtor, mas cheguei a conclusão que sim quando me ví pensando as mesmas coisas hoje.

O que poderia me deixar orgulhoso na verdade me deixou inquieto. Será que eu fiquei burro, idiotizado de alguma forma? Eu hoje não consigo nem imaginar escrevendo uma coisa tão prática e tão rica de idéias.

A vida transforma a gente tão rápidamente que é impressionante, como o ato de se olhar no espelho, de vez em quando, mostra imagens que não são nossas, ou pelo menos não planejadamente nossas.

Aí eu lí Bono essa semana e ví que o cara tá tão bom quanto. Talvez melhor e eu penso. Porra eu tô uma merda mesmo, mas enfim.

Já tentei retomar este, que um dia foi um aglomerado de coisas cheirosas e bolinativas, mas não deu. As coisas tão muito corridas deste lado do mar.

Mas não pensem vcs que eu vou seguir o caminho natural dos blogueiros, nerds e companhia. Eu não vou montar uma página pra ganhar dinheiro, (até porque eu não teria talento mesmo) nem vou trocar o blog por novos gadgets tecnológicos tipo twitter, face etc. que inclusive eu não gostei de nenhum.

Pode ser coisa de gente chata, mas eu acho o blog um troço meio poético. Você escreve sem ter certeza de que alguém vai perceber, mas mesmo assim dá o melhor de você e um dia, depois de morto, alguém olha e diz: - Legal. E pronto, do limbo, sua voz consegue dizer. Valeu.

Sem mais, subscrevo.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Esqueça

Ah vc acha sua casa legal.

Foda-se. Sério. Foda-se mesmo.

Sinto muito, mas sua casa não é legal.


Essa casa é legal.







Fala sério, tem gente que sabe gastar dinheiro né não?

Sem mais, subscrevo.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Né?

Domingo é mó coisa de velho né não?

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Calma

Dois posts seguidos não é motivo pra vcs acharem que eu fui abduzido e que em meu lugar está um ser alíenígena de alta inteligência regendo meu corpo.

1 - Não. Eu não fui abduzido.
2 - Sim. Eu tenho condições de escrever dois posts seguidos.
3 - A única pessoa que rege meu corpo é Cabeça e vcs sabem disso.

Sendo assim, num lapso de mudança cósmica do meu ser, eu resolví sim, escrever dois posts no mesmo mês. Pior, na mesma semana. Pior, um por dia.

E vc caro leitor que já estava tranquilo por não ter a necessidade de vir aqui, se lenhou. A vc duas opções:

1 - Continue se lenhando e vindo aqui perder seu tempo;
2 - Aproveite o ensejo que já tinha lhes dado antes e siga no caminho da sua evolução espiritual, fazendo coisas mais produtivas do que vindo por aqui.

A quem escolheu qualquer um dos dois problema de vcs. Vamos ao que não interessa. Pelo menos pra mim.

Hoje eu tomei meus primeiros comprimidos de seacalmação da vida. Explico:

Na virada do ano eu dormir bêbado e feliz e acordei com um derrame no olho e putamente preocupado, pela primeira vez na vida, com minha saúde. Nem bebí mais.

Voltamos da Ilha(de Itaparica) direto prum oftalmo que disse:
-Faça esses exames, tire a pressão e procure um cardiologista. Pensei Fudeu. Tô morrendo.

Na verdade, depois que eu acordei e me olhei no espelho, já comecei a achar que tava morrendo. O Doutor gordinho só me apoiou.

Fui tirar a pressão e o cara da farmácia falou 15/10. Pra mim tava legal, mas parece que pro resto do mundo que já tirou pressão essa porra é alta.
- Toma um chazinho, descansa, amanhã vem tomar de novo (pensei no cú?, mas não falei), mas vc precisa procurar um cardiologista.

Acho que eu não falei pra vcs, mas acho que cardiologista é o mesmo que padre especializado em extrema unção, só se chama no Game Over e se na mesma semana duas pessoas lhe dizem que vc precisa procurar um. Não ache isso nada bom.

Pois bem, fiz a porra dos exames, que diziam o que qualquer um só de olhar pra mim diria:
- Colesterol alto. Acho graça como a gente paga prum papel chamar a gente de gordo, quando o espelho já faz isso de graça todos os dias.

Levo os exames pro reverendo, ele tira (se vc acha que eu deveria aqui colocar "auferiu" vc com certeza tá lendo o blog errado. Tenta um de lígua portuguêsa, ou de como meter o próprio braço no cú sem o auxílio de KY) a pressão de novo e diz:
- Tá alta. Tem estado sob stress?
- Ô. Quem não tá né?
- Eu. Pelo menos não suficiente pra subir minha pressão, já vc pelo jeito...
- Tudo bem doutor: Tô todo fudido de stress, nervoso, preocupado, sem dormir direito, se vacilar eu tô até broxa.
-Hummm

Nessa hora vc pensa: Será que depois de eu ter dito tudo isso, ele acha que um "Humm" me ajudou?

- Vou passar mais uns exames e um calmante pra vc.
Pensei 1: Ele vai me mandar pra praia, encher a cara e transar.
- Vc toma duas cápsulas por dia
Pensei 2: Praia e cachaça duas vezes por dia eu guento, mas sexo, pra falar a verdade, não tenho tanta certeza.
- E como vc tá com o coleterol alto, vai ter que parar de comer gordura, passar a comer verdura, fazer exercício regularmente e tal.
Pensei 3: Pra que ir ao médico pra saber que eu preciso parar de comer besteira, parar de me stressar e fazer exercício?
-Eu sei que as comidas gordas são mais saborosas, mas vc vai ter que fazer um esforço.
Pensei 4: Fanfarrão esse médico meu né não?
-Tá tudo bem Doutor.

E assim fui pegar o medicamento.
- Dá sono?
- Não. Só acalma.
- Como assim não dá sono? Tudo que me relaxa me dá sono.
- Pode dar um pouquinho, mas é só pra te acalmar.
- Tá de brincadeira?
- Não, mas tô entendo perfeitamente porque seu médico passou isso.
-...
Pensei em tanta resposta que não dei nenhuma.
Fui pra casa e tomei a porra da droga fitoterápica que acalma, mas não dá sono e que eu provavelmente tô precisando mesmo.

Por enquanto, não tô sentindo porra nenhuma. Só uma vontade de sair mandando todo mundo tomar no cu, mas acho que o remédio não tem nada a ver com isso.

Continuo fazendo exames e indo a médicos fazer revisões. Pelo jeito a morte instantânea tá descartada, mas por via das dúvidas, vou continuar tomando o SEAKALM e torcendo pra vontade de bater em alguém passar.

E v,c se não gostou do post, pode ir pra puta que lhe pariu que eu não ligo.

Sem mais.