quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Decisões

O homem é feito de decisões, vidas são feitas de decisões, futuros se constroem em cima de decisões, e tantas outras frasezinhas prontas e clichês são exemplos que eu poderia dar, pra explicar nossos primeiros dias de empresa. Eu prefiro do meu jeito:

A dificuldade de uma decisão é diretamente proporcional ao estrago que ela pode fazer se der errado. E pronto.

Como vcs sabem, e eu preciso parar de dizer isso antes que fique repetitivo, planejo dominar o mundo.
Sei que isso é uma questão de tempo.
Sei que a demora vai ser um gráfico, onde x é o tempo, e y a quatidade de decisões acertadas que eu tomo.
Sei que eu tenho pressa, o que automaticamente me leva a mais três problemas:

1 - O mundo é um escroto;
2 - O tempo é um sacana;
3 - Os dois juntos insistem em me fazer esperar mais do que eu mereço.

Informações indispensáveis dadas, assim começa minha saga.

Todos os dias, tomamos pequenas decisões.
Pegar a fila da direita, ou da esquerda; Suco ou refrigerante; Skol ou Brahma etc.
Em geral elas são tão superficiais que, ao final do dia, a gente nem lembra.
Devem ser milhares todos os dias.
E porque a gente não lembra? Simples. Se errarmos, o problema criado (quando chega a ser criado) é mínimo. 10 min de atraso, 50 gramas a mais etc. Nada demais.

Agora, quando as decisões envolvem coisas grandes, como dinheiro (mesmo pouco) por exemplo, a coisa muda de figura.

Se vc entra no ônibus, o cobrador diz que tá sem troco, pede pra vc aguardar, vc dorme, seu ponto chega, vc sai correndo e esquece seus R$ 0,80. Vc fica puto e cata o ônibus durante uma semana pra pegar seu troco.
Se vc vai naquele acougue mal assombrado e compra 1 kg de costelinha de porco, deixando de ir no acougue bacana porque é mais caro, paga R$ 5,00 no quilo, na saída passa na porta do primo rico, vê uma costelinha mais gordinha, mais limpinha e sem aquele acougueiro fantasma, sendo vendida a R$ 4,60, é a mesma coisa de tomar uma facada no rim (seja lá qual for a dor que isso pode causar).

Nos 2 casos, foi um problema de decisão. Vc decidiu aguardar o troco sentado, poderia ter ficado em pé ao lado do cobrador e não esqueceria. Poderia perder o preconceito e cotar a costela no acougue bacana, já que era passagem, mas simplesmente não fez. Perdeu, a perda é mínima, mas é uma perda. Ninguém gosta de perder. Aliás, saber perder é uma sabedoria com a qual eu não quero conviver.

Quando vc tem uma empresa, por menor que seja, ou um grannde cargo, tanto faz. Suas decisões, e claro os erros advindos delas, não atingem só vc, ou seu bolso. Atinge outras pessoas. Pior, atinge objetivos, metas e isso causa estragos enormes.

Estamos hoje passando por um momento muito gostoso. A constituição de uma empresa. Agora, pequenos, estamos montando o como ela será quando for grande. É um exercício fantástico, mas muito complicado e perigoso, afinal, aqui não é o desafio SEBRAE e errar envolve grana de verdade.

As decisões vão de aparentemente simples, a nitidamente complicadas.
Simples como decidir que cor usar, comprar, ou não aquele supérfluo pra decorar e complicadas como decidir preço ou fechar ou não um camarote pro carnaval.

São inúmeras variáveis, incontáveis cálculos, e achismos mil, pra chegar a uma decisão. Acreditem. Não é fácil. Principalmente porque depois de tantas análises o que realmente importa é a pergunta que vc cria pra vc mesmo responder. Vale a pena? É viável? Quanto a gente vai ganhar?

No processo de construção de nossa última decisão importante, chegamos a uma pergunta tão complexa quanto a decisão a tomar:
Se ganharmos, vamos ganhar pouco em dinheiro, mas muito em visibilidade e experiência.
Se perdermos, vamos perder de uma vez, todo o capital de giro, que vai segurar a gente, no mês de março.
Sem contar que, sem grana, nossos objetivos pro segundo semestre vão ter que esperar a gente construir novamente um capital. Fecha ou não fecha o negócio?

Pergunta fodida né? A gente tb achou.

Pensei em dizer a que resposta chegamos, mas assim, vcs não sentiriam o que a gente sentiu. Não seria justo com vcs.
Como eu disse: A dificuldade de uma decisão é diretamente proporcional ao estrago que ela pode fazer se der errado. Nesse caso pode até dar errado, mas foi minha decisão.

5 comentários:

lilaemarcelo disse...

Só tenho que desejar sorte para vcs e dar os parabéns pela coragem! Se precisar de alguma ajuda administrativa, contem comigo. Só cobro em temaki, ou convite para algum ensaio legal!

Jorge Martins disse...

Decidir é uma das coisas mais difíceis da vida, e seu post explica isso perfeitamente. Mas de uma coisa ninguém pode duvidar: a vida é escrota.
As questões sobre as quais você fica em cima do muro serão decididas naturalmente pela vida.
Não dá pra se omitir.

Juliana Rocha disse...

U´m dos melhores posts q vc já escreveu! Eu te amoooooooooooo

Pablo Araújo disse...

Valeu pelos desejos de boa sorte.

Druba disse...

É pau-viola, mas a gente chega lá!!