terça-feira, 5 de maio de 2009

Chuva, dor e HGE

Quem não mora em Salvador, ou mora em algum lugar onde a chuva faça parte do cotidiano, não entende porque tanta comoção com as chuvas que não param por aqui.
Salvador é feito de açúcar, doce, gostoso, mas não suporta água. Simplesmente se disfaz e tudo para.

Igual a mim. Difícil ficar doente, mas quando fico...

No momento estou em casa. O médico me proibiu de trabalhar pelos próximos 3 dias. Logo qdo chove como há muito não chovia.

Vamos voltar um pouco no tempo:

Há uma semana comecei a sentir uma dor nas costas. Normal, pensei. Tô ficando velho, não faço exercícios etc.
Passei o fim de semana prolongado meio de molho. Sem beber pra ver se os remédios faziam efeito. Ontem não aguentei mais e resolví fazer o que fosse possível pra poder andar novamente, mesmo que isso significasse, gastar todo o meu dinheiro num médico.

Reuní a família para uma decisão. Pra onde ir a procura da cura. Algo como aquelas decisões de pra que bar ir, só que com uma dor que me impedia de respirar direito.
Cabeça achava que o melhor era o COT, já pra Neto o HGE seria a melhor opção. Segundo ele, o hospital é muito bem preparado e de graça, já que eu não tenho plano de saúde.

Decidimos tentar os dois. HGE primeiro e se minha intuição estivesse certa, de lá correndo pro COT.
Pra mim HGE era o lugar natural pra onde eram encaminhadas as pessoas que tinham tido sua cabeça suprimida do corpo por algum motivo. Me imaginei no hospital, onde entre pedidos de licença, veria passar por mim, uma pessoa gesticulando sangue de onde um dia foram suas pernas.

Chegando no maior hospital da Bahia, ví que não era (ou não estava) nem como eu pensei, nem como Neto falou. As pessoas tinham cabeça, mas estavam morre, não morre do mesmo jeito. Existiam pernas, mas dos seus donos emanavam uivos que me fizeram relutar. A dor foi maior e eu persisti.

O problema mesmo foi a falta de coordenação. Ninguém sabia quem atendia o que, ou quem. Tentei travar diálogos com pessoas de jaleco, mas ouvia sempre um:
- Alí naquela sala. Como se eu fosse um imbecíl completo por não saber. Era como se todo mundo que tivesse alí era uma espécie de reincidente.
Quando enfim percebí que teria de persuadir (bater em) alguém pra ser atendido, não aguentei e saí de lá o mais rápido possível (2 ou 3 passos por minuto).
Drumond e Nílton, meus fiés companheiros de jornada, (a quem realmente agraceço a companhia) já me esperavam sob olhares de negação de Drumond.

- Eu sabia.
- Tá vamos pro COT. (cabeça mais uma vez estava certa)

Lá não foi tão rápido quanto eu pensei, mas pelo menos não tinha ninguém morrendo, o que foi determinante pra minha melhora.
Foi uma divertida tarde entre Raios X, injeções e macas. Voltei pra casa com uma receita e a indicação que a quase dor de parto que sentía, não era o que eu pensava (a morte lenta chegando). Era apenas uma lombalgia aguda (nome fresco pra dor muscular nas costas, o agudo foi pra ratificar que tava doendo pra caralho).

Passei na farmácia, fui pra casa e me entupi de remédio, um dos quais me alegrou bastante porque é a base de morfina e dá um barato legal, além de sono. Muito sono.

Ao fim, chegamos ao começo:
Não fui trabalhar hoje, amanhã também não vou. Hoje não parou de chover, amanhã provavelmente também não vai.

Resumindo: Salvador e eu estamos fudidos.

4 comentários:

disse...

menino o cato e o cot atendem pelo sus tb! so tem q saber o horario parece eh q so de 8 as 18... algo assim...depois se informe! melhoras de novo!

Putíssima Trindade disse...

Melhoras Pablo!

Jorge Martins disse...

Não sabia que tinha piorado assim.
Precisando, liga.
Você sabe.
É nóis.

Edson Lucena disse...

Para Salvador eu não sei, mas no seu caso, quando precisar vá na Somed, eles também atendem pelo SUS. Melhoras!