
Hoje Riachão é cult.
Minha aposta: Black Style também vai ser, daqui a 10 anos.
- A gente chegou ao fundo do poço (Neto)
- Eu também acho, não tem mais pra onde descer (Drumond)
- Eu não acho, ainda falta alguma coisa tipo: "tu tu tu meu pau dentro do seu cu" (eu)
- Alguma coisa está pra acontecer, que vai revolucionar isso tudo que a gente tá ouvindo pelos becos agora. (Neto falava da pérola rala a xana no asfalto da banda Black Style)
O diálogo foi enorme e não tem como transcreve-lo, algumas coisas se perderam depois da cerveja número 19. O fato é que discutimos sobre como, e se a música, sobre tudo a baiana, pode piorar. Neto acha que já chegamos no máximo da baixaria possível, Drumond também, eu não.
Mais do que isso, eles acreditam que está em curso uma revolução. Uma revolução na qual o povo vai, de alguma forma, perceber que esse tipo de música é ruim e vai começar a dar valor ao que é bom.
Minha pergunta é: Como? Do nada?
Será que só eu percebo que uma coisa dessas não acontece?
Pra haver essa revolução cultural, é muito claro pra mim, que antes a gente tem que dar mais valor a escola. O povo tem que parar de se matar pra ganhar uma merreca de salário mínimo no final do mês e mais uma série de outras revoluções muito maiores, diga-se de passagem.
O Brasil e em nosso caso especial a Bahia, consome merda desde sempre. não me diga que Riachão na década de cinquenta era cultural. Porra nenhuma. era margilnalizado como a maioria das bandas de pagode hoje são. Não me diga que as pérolas Pitada de tabaco e umbigada de baleia eram cultura desde sempre. Viraram cultura porque a degradação foi muito mais forte.
Tão forte, que fez com que Riachão virasse ingênuo, cult.
Ninguém é inocente, nunca foi, muito pelo contrário, ele foi onde podia. Na época, se ele falasse em xana ou perereca ia ser queimado na avenida sete.
O problema é que hoje cabe. As mulheres não se importam em ser chamadas de cachorra, vadia etc. Amanhã, se a degradação cultural continuar nessa pegada. Perereca e xana vão ser considerados ingênuos, bobos e depois cult. É tudo uma questão de contexto. Nada mais.
É triste, mas é a verdade. A música que ouvimos é um reflexo do que somos como consumidores. Pra que criar, se a gente se contenta com Cadê Dalila? É uma questão de mercado, como tudo na vida.
Eu pensei que Rala o pinto (uma tragédia musical que se abateu sobre a Bahia nos anos 80 citando as posições sexuais, carrrinho de mão, no coqueirinho etc.) fosse o fim de linha, na verdade ela se mostrou vanguardista (segundo Drumond). Eu tenho medo não do que os pagodes podem criar, tenho medo de até onde a gente vai aceitar.
E isso meus caros, é um poço com um fundo indeterminado.